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Procuradores mantêm renúncia e voltam a repudiar Bolsonaro

09/09/2019

“A decisão está absolutamente mantida. Não tenho a mínima condição de colaborar com qualquer procurador-geral da República que aceite assumir essa tão importante função nessas condições, nas catacumbas do poder”, com essa declaração o procurador da República em Sergipe, Ramiro Rockenbach, reafirmou a decisão tomada em conjunto com o também procurador Flávio Matias de não assumir a chefia do Ministério Público Federal (MPF) no estado.

A fala ocorreu na manhã desta segunda-feira, 9, em entrevista coletiva prestada à imprensa na sede do órgão, quando os fiscais da lei voltaram a protestar contra a iniciativa do presidente Jair Bolsonaro em nomear Augusto Aras como procurador-geral da república, sem observar a lista tríplice [que contém os nomes indicados em eleição direta da categoria em todo o país].

Ramiro e Flávio estiveram ao lado dos colegas procuradores Eunice Dantas, Gabriela Barbosa, Lívia Tinoco, Rômulo Almeida e Heitor Soares, além do procurador aposentado Evaldo Campos, quando divulgaram uma carta intitulada “Em Defesa da Independência do Ministério Público Federal”. Entre outras citações, o documento ratifica a bandeira de autonomia do MPF a partir da manutenção do mecanismo democrático de escolha de suas funções mais relevantes. “Que história é essa de uma indicação de um procurador-geral da República alinhado com o presidente ou com o seu pensamento se é ele que pode processá-lo por qualquer desvio?”, questionou Ramiro ao final da leitura.

A procuradora Eunice Dantas disse que a escolha do cargo pela lista tríplice representa um anseio da classe e que a nomeação de Augusto Aras representa um ato contrário ao anseio dos que compõem o MPF. “Ela representa os anseios da classe. Aqueles que se candidatam ao processo, que se inicia dois meses antes, mostram suas propostas e o debate é aberto ao público. Ao contrário, essa escolha foi feita à surdina, o Augusto Aras se reuniu em torno de oito vezes fora da agenda com o presidente (Bolsonaro) e ninguém sabe o que foi tratado e o que foi acertado”, reclamou.

O Portal Infonet tentou ouvir a Procuradoria Geral da República (PGR) em Brasília e foi informado pela assessoria de imprensa que a solicitação deveria ser feita via e-mail. O portal já enviou a solicitação e aguarda a resposta da PGR ao tempo em que permanece a disposição pelo e-mail jornalismo@infonet.com.br ou pelo telefone (79) 2106 – 8000.


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