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Women Game Jam reúne mulheres em maratona de desenvolvimento de jogos

05/11/2018

A Women Game Jam Brazil, maratona de desenvolvimento de jogos focada em mulheres e pessoas não-binárias, acontece entre os dias 2 e 4 de novembro em múltiplas regiões do Brasil simultaneamente. A edição aracajuana do evento, que ocorre no Senac Sergipe, no centro da capital do estado, reúne mulheres para desenvolver um jogo em 48 horas.

De acordo com Camila Alves, organizadora e participante da edição aracajuana da game jam, que tem apoio da TFG, Senac e SergipeTec, o principal objetivo do evento é “que ele não precisa acontecer depois, porque as ‘minas’ vão se sentir tão fortes, tão seguras a participar, que ser vistas não vai fazer diferença. A maior importância do evento é motivar as meninas e mostrar que elas também são capazes”. “Eventos como esse são importantes para mostrar que ‘ó, você também pode fazer, você também pode participar”, complementa ela.

Jade Lacerda, uma das participantes da Women Game Jam Aracaju, diz que maratonas como essa têm importância porque “mostra que mulheres têm, sim, capacidade e potencial criativo, e convida outras mulheres que nunca tiveram pretensão de ocupar esses espaços [de desenvolvimento de jogos] a pelo menos conhecerem”. “Um espaço composto só por mulheres mostra que a gente está em casa. Então, a gente fica mais tranquila, mais à vontade.”

Segundo Jade Lacerda, o número de mulheres que participaram do evento é histórico. “Durante dois anos houve game jams [em Aracaju], e o número máximo de participantes femininas foi de três.” De acordo com Camilla Alves, a maratona teve 23 inscrições, mas, dessas, apenas 8 compareceram.

A organizadora explicou o fato dizendo que algumas mulheres se inscreveram para ajudar a causa, mas que não têm muito interesse na área. “E em pontos, eu acho que tem meninas que não vêm porque não se sentem preparadas, e aí ficam com medo de chegar aqui e não conseguir desenvolver; o que é uma besteira, porque você vai chegar aqui e vai conseguir desenvolver alguma coisa, vai conseguir ajudar.”

Natália Freitas, outra participante da Women Game Jam Aracaju, disse que o jogo que seu grupo desenvolveu é “uma crítica à maior parte das coisas ruins que a gente tem na nossa sociedade”. O projeto, chamado Não Solta a Minha Mão, é descrito por Camila Alves como “um jogo normal, mas que é preciso ajudar pessoas durante o caminho, e para ajudar essas pessoas você acaba perdendo os seus itens, e você tem a opção de ajudar ou não”.

O tema estabelecido pela organização da maratona foi “Lose to win” (perder para ganhar, em português). Temas são uma das características de game jams, que também determinam o tempo que seus participantes terão para criar seu projeto.“Se no final você não tiver ajudado ninguém, você vai perder o jogo. Mas se você perder seus itens no meio do caminho ajudando, você consegue chegar no final e ter uma mensagem legal.”

Viviane Arimatea, que participou da game jam, falou que o que mais a encanta no jogo é “que ele é verdadeiro, que a gente se identifica com a personagem que a gente cria, porque nós também enfrentamos vários obstáculos no nosso dia-a-dia. Ele é verdade”. “Ele [o projeto] é uma expressão artística do nosso sentimento”, falou Jade Lacerda. “Foi feito com mulheres pensando de forma coletiva, e aí a gente pensou ‘o que está nos incomodando? O que a gente poderia fazer, o que a gente poderia mudar com esse jogo?”.

“É uma expressão dos nossos maiores medos, dos nossos temores. Então, como mulheres, como desenvolvedoras, a gente está colocando para fora alguma coisa que pode vir a ser relevante para outras mulheres que se identificam e que jogam.”

Já Camila Alves diz que ‘Não Solta a Minha Mão’ mostra que as mulheres estão atentas ao que está acontecendo no Brasil. “Mostra que a gente tem coragem. A gente está criticando de uma forma indireta, mas para bom entendedor meia palavra basta. Mostra que estamos conscientes a respeito da situação para a qual estamos caminhando, que é muito perigosa. Mostra nossa coragem e a nossa força, e a importância de se ter um pensamento crítico. O jogo apresenta um pouco disso.”

Além de Aracaju, a Women Game Jam também ocorreu em Salvador, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Brasília e São Paulo.

Não Solta a Minha Mão e os jogos desenvolvidos nas outras edições da maratona serão disponibilizados através da página do Facebook da Women Game Jam Brazil após o término do evento.

Fonte: Assessoria do evento


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